Freddy Frenzy está de volta com a sua coluna “Em Peso”. Por que não? Claro que sim…
PS: esse texto foi publicado originalmente no site SertãoRock.com.br
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Por que não?
Já é incontestável o potencial de muitas bandas e músicos de Rock e Metal do nosso estado. Sejam seus talentos brutos ou lapidados, já contamos com uma enorme quantidade (e variedade) de bandas das quais muitas já deram prova de seu valor e que merecem indiscutivelmente mais prestígio a nível nacional (ou internacional no caso de trabalhos em inglês). Então porque não possuem esse devido reconhecimento? Por que não? Vamos explicar.
Parte da causa dessa inexpressividade é o fato de no Brasil as coisas serem bem mais difíceis para uma banda de Rock ou Metal do que no exterior. Em primeira instância os músicos ganham menos, o que também implica em ter que trabalhar mais. Resultado: Pouco tempo e dinheiro para se dedicarem e investir. Tudo para nós aqui é mais caro. Por isso é tão difícil definir até mesmo a formação do conjunto. Muitos desistem (rapidamente ou não) da estrada, por terem outras prioridades ou um futuro mais promissor noutro trabalho qualquer. Vale lembrar que estamos na região Nordeste e no Rio Grande do Norte, onde não há uma tradição roqueira tanto quanto em outras regiões do Brasil. Mesmo existindo boas bandas locais e um considerável público, não há apoio nem publicidade. Mesmo após vencer todas as dificuldades iniciais (o que pode levar anos!) e cotidianas, uma banda enfrenta a total apatia dos meios que supostamente poderiam – e deveriam – ajudar. Querendo ou não, os ritmos regionais (forró, axé, “swingueira”, etc…) dominam a plebe e a mídia de massa quando o assunto é música, shows, festas, eventos, diversão… Óbvio que os shows de Rock e Metal já são bem aceitos e ocorrem freqüentemente, porém de maneira bastante independente, underground. Na capital já existem até pubs voltados especificamente para o Rock, como é o caso do Shambala Pub, do extinto Budda Pub e do próprio DoSol Rock Bar, que é de fato o maior reduto roqueiro do estado por ser uma casa de shows mesmo. Podemos hoje em dia sintonizar em rádios exclusivamente Rock no estado ou outras que possuem um momento da programação dedicado inteiramente ao estilo. Já existem sites que cuidam de divulgar e acompanhar exclusivamente a cena Rock/Metal estadual, bandas produzindo clipes, já existem até selos independentes. Ainda assim não podemos afirmar que o Heavy Metal ou o Rock N’ Roll são fortes aqui porque os cifrões envolvidos no show business do Rock local são infinitamente inferiores aos dos shows de pseudo-música regional.
Mas e o MADA e o Festival DoSol, grandes eventos de Rock sediados na capital? Bom eu adoraria não ter que falar desses dois eventos… Mas é pertinente, portando vamos lá. Não será a primeira vez que serei crucificado pela minha língua ferina. Tá, esses festivais são grandes, contam com muitos investimentos de patrocinadores de peso e são grandes vitrines de novas bandas, uma ótima oportunidade para qualquer grupo que neles toque. E de fato algumas (Eu disse algumas? Sim, sejamos francos…) boas bandas figuram no cast por merecimento. Mas estranhamente muitas outras bandas que por um acaso beeeemm entrópico talvez sejam melhores e bem mais merecedoras ficam de fora. É um caso de “panelinhas” de roqueiros, se valendo de benefícios mútuos em detrimento de algumas bandas verdadeiramente merecedoras. Fazer o que, né? Continuemos tentando, nos contentemos com os pubs ou montemos logo uma banda de forró, enquanto alguns roqueiros continuam trabalhando contra alguns outros roqueiros. Hora bem inoportuna, não?
Outra causa é a falta de fé e audácia das próprias bandas. A maioria já surge crendo que tocar nos pubs da cidade ou em eventos pelo estado seja o teto de suas carreiras. Tocar em um MADA ou Festival DoSol seria então um definitivo highlight! Algumas até começam da melhor maneira possível. Garotos jovens, ainda adolescentes, com a certeza de que poderão conquistar o mundo (e podem). Mas é difícil vermos-lhes com a mesma fé do início após cinco anos tentando sem muito resultado. Até porque a essa altura geralmente sobram só um ou dois da formação original. As bandas têm que acreditar, senão, não há razão para o que estão fazendo. Não há a aventura do Rock N’ Roll. O que é acreditar? Se esforçar, insistir, sonhar.
As bandas têm que construírem diferenciais. Diferenciais que, embora não sejam os mesmos sempre fizeram parte dos ingredientes que consagraram todas as maiores bandas de Rock do mundo. Considerando que a banda já produza boa música autoral, na qual acreditam e que os ouvintes também o façam, vamos a alguns passos simples que deveriam ser tomados por qualquer grupo que almeje sucesso.
Passo um: grave um CD Demo com a melhor qualidade possível, com um bom número de músicas. Até aqui, óbvio, não? Mas aplique essa qualidade também no trabalho gráfico. Façam parecer um CD de verdade. Esta atitude impressionará qualquer um pelo profissionalismo e dedicação, além de transmitir mais confiança e fazer com que outros vejam a banda como um trabalho que está dando certo. Aumentará o seu prestígio de maneira considerável. Se for possível a produção de poucas cópias, não se preocupe em vendê-las. Certifique-se de que ela chegará aos contatos certos: Selos, gravadoras, produtores, músicos que possam lhes abrir portas, revistas, sites, rádios, etc. Divulgue suas músicas, fotos e informações no máximo de meios pela internet. Purevolume, Terra, myspace, etc.
Passo dois: invistam em visual. Inspirem-se nas bandas que os influenciaram e crie um visual estiloso, marcante. Use roupas ousadas, maquiagem, cabelos com penteados e cortes legais. Também transmite profissionalismo, gera boas fotos promocionais e torna os shows mais interessantes, além de ajudar a identificar a banda. Muitos músicos mais velhos são conservadores em relação a isso. Vocês não estão mortos caras! Se ainda estão tocando e com saúde é porque os anos 2000 também são seus… vocês não ficaram nos anos 80 ou 90…
Passo três: presença de palco. Ponham na cabeça que mais interessante que ver “caras tocando” é ver caras DANDO UM SHOW. Mesmo em palcos pequenos é possível fazer poses, caras, bocas, alguma movimentação, interagir com o público. É desnecessário dizer que a apresentação fica muito mais empolgante e uma presença bem ensaiada (sim, ensaiada) também impressiona. Com o visual e a presença de palco a todo vapor, filme seus shows e ponha vídeos no Youtube, e onde mais puder. As fotos também devem ir para o Orkut e Fotologs.
Passo quatro: Se possível faça um site e produza videoclipes. Não sai tão caro se você pesquisar direitinho. Mais uma vez sua banda estará mostrando audácia ao ter videoclipes e seu próprio site, mesmo que tenha gravado apenas um CD Demo ou EP. A fé crescerá no círculo da banda e outros os verão como bem sucedidos. A promoção e os benefícios trazidos pelo site e pelos vídeos serão imensos. Se encarregue de realizar isso enquanto busca o apoio das leis de incentivo a cultura para gravar o seu CD prensado, original. É bem vinda a ajuda de um especialista para dar entrada no pedido e leva um tempo até seu projeto ser aprovado e começarem a liberar a verba para a produção do seu álbum. Nesse meio tempo a banda não pode parar de crescer. No site, as pessoas devem encontrar tudo da banda: músicas, CDs, novidades, biografia, formação, fotos, vídeos e até uma loja virtual, onde poderão comercializar os CDs, camisas da banda (mais uma boa idéia de divulgação e afirmação!). Quando o CD oficial sair, não se esqueça de que independente de qual for a quantidade da prensagem, faça chegar cópias do mesmo novamente para todo tipo de contato importante (selos, rádios, revistas, sites, músicos consagrados, etc). O grande restante das cópias deve ser lançado em locais com mais mercado consumidor de CDs originais, como o Sudeste e o Sul do país, ou mesmo Europa e Japão, caso seu trabalho seja Metal e, obviamente em inglês.
Mais importante: não deixem de acreditar e tentar. É difícil? É. É mais provável que passe a vida toda tendo como auge da carreira os pubs e alguns festivais maiores? É. Mas é possível vencer e conquistar os palcos do Brasil afora (e talvez até mais)? É! Então invista, tente, acredite, lute. Caso chegue ao final da vida sem conseguir, terá a certeza que tentou e fez de tudo. E terá feito a vida toda o que gosta: Rock n’ Roll! E viver uma vida de Rock N’ Roll comercialmente bem sucedida ou não, lhe fará descansar com um sorriso no rosto no momento de seu último suspiro.
Por Freddy Frenzy